terça-feira, 5 de maio de 2015

Desrespeito e violação

Mulheres que lutam, mulheres que são mães e esposas, mulheres que são profissionais. Mulheres guerreiras, mulheres que brilham, mulheres que perdem a inocência para a violência sexual, mulheres que sofrem abusos na forma de cantadas todos os dias, tais como: "gostosa", "delícia"; e ainda são obrigadas a aceitar, afinal, se tratam de "elogios". Mulheres receosas em andar na rua por medo de serem seguidas e violentadas. Mulheres vítimas do machismo, mulheres que apenas querem seus direitos e respeito.

                              

Mulheres que não podem usar o meio de transporte coletivo por conta dos abusos. Para tentar minimizar o problema, foi criado vagão feminino em trens e metrôs, onde, por lei, apenas mulheres podem permanecer em determinados horários de maior movimento. Porém, isso não é respeitado. Homens utilizam o vagão, homens que desrespeitam e violentam. Em sua vida rotineira, mulheres são diariamente violentadas. Os horários de "rush" e os transportes sempre lotados facilitam as ações desses agressores.



Esta semana o Foca na Notícia conheceu Lívia Nobre, uma jovem que, ao pegar o metrô na estação Carioca, RJ, por volta das 18h, não sabia que seria mais uma vítima de um homem machista e abusivo. Lívia foi violada: um homem ejaculou na jovem no metrô. Infelizmente, este homem não será punido porque não houve violência ou grave ameaça e nem penetração (o que configuraria crime de estupro). Não há ainda provas dessa barbaridade para comprovar o ocorrido. Segue abaixo o relato da vítima:
                               

Onde está o respeito? Onde está a segurança? Onde estão os direitos? Lívia não foi a única vítima desses abusos. Frequentemente mulheres sofrem situações como a descrita, que são, no mínimo, humilhantes e desconfortáveis. E mais: muitas são vítimas de crimes, como estupro e assédio sexual, que acontecem nos mais diversos ambientes, desde o transporte público até o ambiente profissional. A cultura machista da nossa sociedade, que na maioria das vezes culpabiliza a vítima e não o agressor, ainda faz com que muitas não tenham a coragem de registrar a ocorrência. Medo de julgamentos pelos que as cercam, vergonha, constrangimento: todos fatores que contribuem para que muitos casos nem cheguem ao conhecimento das autoridades.

Envergonhada e sentindo-se humilhada, Lívia relatou: "é tão chato esse tipo de coisa não ser crime, porque eu não posso nem cobrar justiça"Mulheres esperam leis, esperam efetivação de seus direitos e punições a estes criminosos. Todas merecem segurança e respeito. Enquanto isso, aguardam também a mudança de paradigma da sociedade.

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