sexta-feira, 2 de outubro de 2015

70 anos depois – A crise humanitária ressurgiu

 Famílias, crianças, adultos e adolescentes que fogem da fome, da repressão política e religiosa e da guerra. Seres humanos que percorrem longos trajetos tanto pelo mar Mediterrâneo quanto por terra em busca de segurança na Europa.

Foto: Divulgação
 Relatórios da ONU afirmam que mais de sete milhões de sírios abandonaram suas residências dentro do país e quase 60% da população vive na pobreza. Esta grande proporção revela o índice de emigração do país, seriam 4 milhões de refugiados sírios, a maior população de refugiados do mundo.
                       
Foto: Divulgação
 Esta crise migratória já matou milhares de pessoas do Oriente Médio e da África que tentam chegar à Europa para escapar de guerras e da pobreza. Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações), mais de 2.643 pessoas morreram no mar quando tentavam chegar à Europa. E de acordo com um relatório da ONU, somente neste ano, mais de 220 mil imigrantes teriam chegado à Europa pelo Mediterrâneo.

                                     
Foto: Divulgação
 Em 1939, o espelho desta crise humanitária acontecia quando a Alemanha invadiu os Países Baixos e o governo de ocupação começou a perseguir os judeus através da aplicação de leis restritivas e discriminatórias. Hitler queria formar uma “raça ariana”, que ele dizia ser superior a todas as outras. Os judeus tinham restrição de horários, não podiam frequentar teatros, cinemas ou outra qualquer forma de lazer. Assim como os sírios que buscam a Europa, os judeus tentavam fugir para a Palestina em botes que eram afundados, porque ameaçavam a economia e o povo palestino.

                         

Foto: Sergio Augusto
"Um retrato que aconteceu naquela época de novo, Síria sendo devastada pela guerra política e religiosa, se assemelha a situação judaica na Segunda Guerra", afirmou Fred Schiffer, Diretor da Escola de Ciências Sociais e Aplicadas na Unigranrio (Universidade do Grande Rio), fotógrafo profissional e neto de alemães. Carregado de diversas lembranças familiares e reflexões sobre os judeus, Fred viabilizou fotografar os campos de concentração, uma prova real do que aconteceu na Segunda Guerra, onde seriam encontrados nestes locais objetos com diversas memórias.

Foto: divulgação
A ideia surgiu em 2011, enquanto Fred e sua esposa, que é jornalista, idealizavam fazer em 2015 uma exposição sobre os 70 anos da libertação de Auschwitz, o campo de concentração nazista onde se estima que cerca de um milhão de judeus morreram. O conjunto de campos de Auschwitz exterminava 20 mil pessoas por dia. "A imagem fotográfica tem uma memória coletiva e individual uma força muito grande" afirmou Fred. 
Foto: Drone BBC- Campo de Auschwitz
Em seu projeto irá buscar essas memórias, através de fotos em preto e branco buscará a emoções dos sobreviventes ao ver objetos deixados nos extermínios, como um cadeado, a câmara de gás, o portão. "Precisamos ouvir o que as ruas, tijolos, barracões e trilhos querem nos dizer, precisamos sentir o clima e tentar reproduzi-lo sem precisar explicar como. As fotos devem 'falar' sem legenda, assim, conseguiremos atingir o objetivo de criar um elo entre o passado e o presente", contou Fred. 

Foto: Sergio Augusto
 Serão fotografados mais de três campos além de Auchewitz e Bikkenau que estão no mesmo complexo, o Campo de Terezin, o campo de Sachsenhausen que foi um dos primeiros Campos criados na Alemanha, o campo de Maddanet em Lubin na Polônia, que talvez seja um dos últimos que preservam pontos ainda intocados.
No dia 19 de outubro, Fred e sua esposa embarcam para trazer fotos exclusivas para a exposição, abordando a memória e o emocional dos sobreviventes e dos resquícios da era nazista.   
Foto: divulgação
                       











2 comentários: